quarta-feira, 19 de abril de 2017

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Emolduramos vidas
em caixilhos abstractos
ocos
em telas desfeitas
usadas
trocadas 
(em paredes vazias de substância)

Emolduramos corpos
orgasmos
vontades
cumplicidades momentâneas 
fluidos 
vertidos à boca
tão oca
(numa fugaz eternidade)

Emolduramos conquistas
camas, lençóis
peitos e peles
artificiais verdades
de amores únicos
burlescos
(que partem ao alvorecer do dia)

e então

Emolduramos solidões
surdinas
mãos vazias
efémeras
lágrimas escondidas
quimeras

(na idília ilusão de um devir que se auto-consome)

e continuamos a emoldurar... 





14 comentários:

Laura Ferreira disse...

lindo, o poema formado pelas frases entre parêntesis :)

dia bom Moonchild

LÍRIO SELVAGEM disse...

Tenho a mania de emoldurar decepções, depois penduro-as em local visível...para memória futura.

kiss

lua perdida disse...

bonito texto!

mas o pior é que tens razao... emolduramos tudo.. tudo tem que ter regras e ser conviniente, tudo tem que encaixar no que consideramos ser o certo

é triste proclamar-mos que somos livres, e no entanto tudo o que fazer-mos estar regido por regras (emoldurado para o prazer do outros!)

bjinhos

noname disse...

Somos obreiros muito limitados, daí que repitamos a obra.
:)

António disse...

parte a moldura

Moonchild disse...

Laura: obrigado

bom dia

Moonchild disse...

Lírio: e serve para alguma coisa?


bom dia

Moonchild disse...

Lua: enfim,


-___-


bom dia

Moonchild disse...

Noname: chegaste lá,


bom dia

-___-

Moonchild disse...

António: impossível...estas molduras fazem parte do ser humano...

bom dia

abraço

Amor disse...

E lá voltamos a emoldurar tudo de novo...

Moonchild disse...

Amor: mesmo...


boa noite

Gaja Maria disse...

Há muito que tento não emoldurar. Não consigo...

Moonchild disse...

Gaja: pois...

boa tarde

-___-