quinta-feira, 2 de março de 2017

116


"Bring me to life, 
bring me the starlight
 Bring me the sun and moon 
Release the stars tonight"
DELAIN - Stardust

Memórias tão minhas, tão sentidas, tão vividas  na pele, tão sonhadas, tão únicas que a própria existência da marca no teu corpo faz-me sair desta realidade, em tons de memória em que vivo. 
tatuei-te a pele a negro, mas tu tatuaste-me a vida à tua cor!
(quantos e quantas poderão dizer o mesmo)



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

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 alma em fogo

e um tiro no escuro!

Porque o fim assim o pede!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

114



Quantos sonhos foram partilhados entre cabeças em silêncio, naquele silêncio esmagador da impotência, do desespero, percorridos por uma vontade tão pura, tão sentida, que o próprio destino se silenciava pela impossibilidade de se concretizar. Quantos fechares de olhos se impuseram à face, ao rosto, sabendo que a abertura dos mesmos, traria à mente, a realidade dura e verdadeira de duas contradições de vida - a vivida na realidade e a vivida à pele.  
Quantos suspiros foram dados, em tardes aonde as lágrimas desciam em murmúrios contidos, nos rostos  alinhavados em um até já!
Quantos "até amanhã" foram ditos quando o coração tremia na possibilidade de um até sempre. Um sempre carregado, até aos limites, de um até nunca, de um até à eternidade pois, é nela, em redor dessa aura de um sempre, que residirá o crepúsculo e a aurora de uma vida. 
Quantos respirares ofegantes foram silenciados pelo bater das horas no relógio da pontualidade. Aquela pontualidade que separava as mãos, os rostos, a pele, as almas, mesmo que os espíritos permanecessem unidos. 
Quantos e quantos silêncios se conseguem partilhar em segundos unidos por momentos dados à vida, em que a própria vida se silencia, para que os mesmo segundos, sejam eternos!

quantos...

quantos, tantos e tão poucos!

quantos morfemas foram tocados aos dedos, quando os dedos, entrelaçados,se sobrepunham as próprias palavras silenciosas saídas deles.

quantos, 

porque o silêncio eterniza as imagens, os sons e as emoções vividas no silêncio das palavras...

silencio-me, então!!!



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Forever After

"Without frustration
With no master plan

With nothing left of the dream that began!"


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

112



Como é que há almas que têm tanta maldade dentro delas? Como é que conseguem destilar tanto veneno, tanta peçonha, tanta azia para os outros. Capazes de realizar as mais intrigantes façanhas para atingir um único objectivo, o de martirizar alguém!

Será que já alguma vez se colocaram na pele do outro? Já alguma vez pensaram o que poderiam passar se fosse ao contrário?

Não compreendo maldade fortuita, posso compreender algum rancor em paga de algo de mau que recebemos, agora a maldade pura, aquela sem escrúpulos é-me incompreensível!

para se ser feliz não precisamos dessa maldade... e corrói bem mais a quem a oferece!


Nem todos os meios deverão servir para atingir um fim...mas ainda terão de viver muitas vidas para perceber isso! Não está ao alcance de todos!!!





quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

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...talvez nunca tive tantos momentos de solidão à objectiva como o ano que passou. Nunca precisei tanto de pegar na mochila e, sem eira nem beira, percorrer os recantos do espaço onde habito, longe da minha terra que me viu nascer e, por aqui, tentar encontrar lugares que comungassem a minha estranha forma de ser e de ver o mundo. Não foi um ano fácil, aliás, acho que para mim nada em sido fácil desde que me lembro como gente. 

porque tem sido esta pequena máquina de fotografia que, nos momentos de maior ausência interna, subtilmente e de uma forma companheira, consegue levar-me a voar para além da realidade, perdendo-me, por instantes, em sonhos e quimeras - algo que eu tão bem dou vida dentro de mim!

Duas imagens tão diferentes e tão iguais no que concerne à sua elaboração emotiva. Dois momentos em que a emotividade interna estava nos lados do desespero, perdendo-me completamente no meu Eu!








Lembro-me, perfeitamente, estar sentado numa rocha na praia ouvindo o barulho das ondas a bater na areia. Era um anoitecer como tantos outros. Um anoitecer em que a mente deambulava entre a treva que emergia em mim e a crença que as estrelas trariam os sonhos de menino que nunca tive. O Sol desaparecia aos poucos, bem lá no fundo do horizonte, aonde, por momentos, quis estar e quis viver. Normalmente os homens escondem as lágrimas, dizem que não é de macho dar a entender que têm sensibilidade, outros, com a sensibilidade à flor da pele é nelas que arranjam forças para um limpeza da alma. Neste anoitecer, caíram pelo rosto, não pela saudade embora fosse muita, não pela solidão que também já existia, não pela vida em si mesmo sendo madrasta tantas vezes, mas pelo que ia crescendo aos poucos dentro de mim, porque, pela primeira vez, começava a não conseguir acreditar em mundos encantados e em histórias de quimeras que eu tanto perfazia à mente. A realidade que tanto me magoava e da qual eu tinha saído durante meses, agora, começava a dar sinais de querer voltar e voltar para ficar.


mas o destino sabe o que faz






Era uma manhã de Sábado como tantas outras. Uma manhã em que a necessidade de estar perto de água era tão forte que o carro só teve uma direcção. Tracção à 4 ligadas e por meio de arbustos e caminhos quase desfeitos chego ao destino. Gosto de estar aqui, num sítio onde quase ninguém vai, longe dos olhares, longe do mundo, aonde posso serenar os zumbidos internos (e eram tantos), pedindo às Ondinas a capacidade de raciocínio que tanto me estava a faltar.  Sentei-me, descalcei as botas, tirei as meias e estive, seguramente, mais de uma hora sem nada pensar, alheio do mundo, do meu mundo, em um estado de pura alternância psíquica. 
Serenidade, algo que buscava, algo que desejava para a caixa pensante e para o peito. Serenidade para que conseguisse deambular entre as azafamas dos meus dias, em que muitos, eram autênticos campos de batalha entre o querer e não ter e entre o existir e não compreender. 

hoje chego à conclusão que tenho tantas memórias vivas nas minhas imagens, tantos porquês nestes retalhos de vida, tantas emoções aqui estampadas que me pergunto...será que realmente alguém se conhece? Será que as pessoas que rodam à volta um dos outros param 1 segundo para olharem e verem a alma que está à sua frente! Duvido, tenho sérias dúvidas sobre isso. Há gritos em silêncio mais audíveis que muitos estridentes sons produzidos pela boca. Quase ninguém os ouve, porque a correria de vida a que estamos sujeitos, não permite perder muito tempo com zumbidos de ninguém!


Porque há imagens que fazem parte integrante das nossas vidas...
haja coragem para as continuar a ver!



e que sejam um ensinamento para o futuro